segunda-feira, 7 de junho de 2021

A organização e a repercussão do Turismo na Chapada Dimantina

               Antecedendo o fluxo turístico que passou a chegar em função da implantação da Pousada de Lençóis, além das visitas ocasionais durante os finais de semana, férias e feriado prolongado, também ocorria a vinda de pessoas amigas que se hospedavam na residência das famílias de moradores de Lençóis para assistir a festa do Senhor dos Passos e depois aproveitavam a estadia para dar um passeio em companhia dos anfitriões pelos atrativos naturais mais próximos, localizados nas cercanias da cidade. 

Hotel Pousada de Lençóis
hoteldelencois.com


            Ao retornarem para seus locais de origem, as pessoas propagandeavam as belezas de Lençóis junto a outros visitantes potenciais, tornando-se, deste modo ,os primeiros divulgadores.

Lagoa Azul
Chapadadiamantina.com

                Ao lado destes gestos espontâneos, ocorreram eventos indutores do turismo que contribuíram para dar visibilidade a Lençóis. No plano institucional, foi criada, em 1982, a Secretaria Municipal de Turismo. Depois de adquirida a Pousada de Lençóis , seu proprietário começou a propagandear as belezas da cidade. A paisagem da Chapada também passou a ser utilizada como cenário para uma novela e produções cinematográficas que foram muito importante na promoção do turismo de Lençóis.
Praça Horácio de Matos-Lençóis
chapadadiamantina.com

                    Este período representou uma fase de descobertas tanto  da parte de alguns turistas que chegavam e ficavam deslumbrados com o encontro de um local tão belo, como também para os próprios moradores que, percebendo a importância conferida pelo olhar estrangeiro do turista ('o outro'), a tudo aquilo que estava situado à sua volta e era destituído de importância , começaram a descobrir e a valorizar o patrimônio natural e a riqueza histórica do município.

Praça Horácio de Matos
fonte: Túlio Saraiva


            Verifica-se a continuidade desta fase com a elaboração dos primeiros roteiros construídos pelos atrativos mais próximos e a colocação de nomes de maneira espontânea em alguns locais, "leva esse pessoal ai para o salão de areia". Nem tudo era sorriso nesta fase, os moradores da região continuavam com o pé atrás em relação ao turismo e conforme relembra o proprietário da Pousada de Lençóis "o dono da (gruta da) Lapa Doce não queria que os turistas visitassem a fazenda dele. Eu sugeri que ele colocasse infraestrutura no local e hoje ele esta ganhando muito dinheiro".

Gruta Lapa Doce
fonte: tripadvisor

              Conforme já abordado, o turismo nestes municípios do Circuito do Diamante não só foi induzido a partir de fora pelo Governo do Estado, com a construção da Pousada de Lençóis, como continua tendo seu desenvolvimento impulsionado pelos recursos governamentais associados ao capital  internacional, através do PRODETUR.

             A instalação da infraestrutura por parte do estado e de muitos destes serviços que gravitam em torno do turismo foram os responsáveis pela (re) urbanização destas cidades do Circuito do Diamante, especialmente, Lençóis. Com o desenvolvimento do turismo, estes serviços são instalados inicialmente nos casarões reformados, localizados em áreas comerciais, passando depois a ocupar espaços cada vez mais significativos em ruas residenciais.

Famosa ponte de Lençóis
fonte: JBPrimo

                     Anteriormente , o processo de urbanização proporcionado pelo garimpo, baseado na extração e comercialização de diamantes, possibilitou a instalação de um comercio voltado para atender as demandas colocadas por esta atividade e pela população, numa área produtora, constituída por estes quatro municípios, chamdos de Lavras Diamantinas. Distintamente do processo anterior, a urbanização atual promovida pelo turismo esta majoritariamente relacionada à esfera do consumo de mercadorias e ao lazer. Notadamente na segunda metade dos anos 90, verifica-se, nestes municípios do Circuito do Diamante, a implantação de vários meios de hospedagem, lanchonetes, restaurantes et. Simultaneamente a estes ,instalam-se determinados tipos de serviços até então inexistentes que passam a fazer parte da cena urbana de Lençóis. Convivem com os estabelecimentos tradicionais, mas, diferentemente destes, estão diretamente voltados para o atendimento do consumo turístico.


Rua das Pedras
fonte: trilhaecantos

                      Entretanto, isto não significa que a clientela deste comércio seja formada exclusivamente por turistas. Um proprietário de pousada falando sobre esta questão afirma: "no inicio, eu pensava que só os turistas comprariam naquela loja de material esportivo e conveniências, mas o pessoal de Lençóis também compra lá". Grande parte desta clientela local é formada pelos guias que recebem influencia dos novos hábitos e praticas de consumo introduzidas pelos turistas, passando a consumir, segundo uma funcionária desta loja, "conveniências e material esportivo para as caminhadas".


Edifícios Comerciais -Praça Horácio de Matos
fonte: trilhasecantos

                           A implantação de novo  meios de hospedagem e a diversificação dos serviços oferecidos aos turistas ocorrem na medida em que também se verifica o incremento do fluxo e da receita turística durante a primeira metade da década de 90.

                         Depois de vários anos de crescimento, o numero de turistas experimentou uma queda significativa no período de 2000 a 2001. Em que pese o montante de receita gerada por esta atividade, observa-se que a mesma encontra-se concentrada em determinados setores da prestação de serviço turístico, a exemplo das operadoras, agencias de viagem, meios de hospedagem e de alimentação.

Conjunto de Hospedagens
fonte: abihbrasil.blogspot


              É em Lençóis- na condição de portão de entrada do turismo na Chapada Diamantina- onde tantos os problemas repercutem mais intensamente como também se verifica o processo de transformação ensejado pelo turismo. Esta cidade passa a contar com 7 hotéis e 45 pousadas, totalizando 3.500 leitos, ai incluídas as hospedagens alternativas que já chegam a uma centena. Antes inexistentes, as chamadas hospedagens alternativas vem experimentando um crescimento significativo em sintonia com o crescimento do turismo-, através da recuperação de casas para este fim, da construção de casas em áreas onde originalmente existiam quintais e da construção de quartos para aluguel.

              Existe, portanto, um conglomerado de profissionais envolvidos diretamente com a participação do mercado turístico da região. Atrelado ao Trade Turístico (meios de hospedagem, agencias de viagens e comércio)as instituições e autarquias públicas. Secretaria de Turismo e Cultura, IPHAN e as Casas de Cultura, fomentam um destacado mercado de turismo regional pela Chapada Diamantina , nacional e internacionalmente reconhecido e premiado.


Fonte: Brito,Francisco Emanuel Matos. Os Ecos contraditorios do turismo na Chapada Diamantina/Francisco Emanuel Matos Brito.- Salvador,EDUFBA,2005.418p.

by Tiago luis lima

segunda-feira, 15 de março de 2021

Saiba mais sobre os lugares em Mônaco! Quer viajar para a Riviera Francesa? fale conosco!

      Domain Group Brasil acredita piamente que o ano de 2021 e as temporadas de férias 2021/22 vão apresentar para os turistas numerosas propostas atraentes de pacotes de viagens, promoções  e novidades. Quem nunca ficou ludibriado com as cenas de ação de James Bond em meio as ruelas de Mônaco; o charmoso campeonato de Formula 1 em meio as suas pequenas e tortuosas vias? . Ou  as belíssimas imagens de seus Lamborghini , Ferrari  , mulheres lindas e Yatchs suntuosos?

Nesta publicação vamos apresentar a Fundação Francis Bacon, ao final da página o link da Agência de Viagens TGK. Qualquer dúvida entrem em contato conosco ou com a agência. 


             

             A fundação está aberta o ano todo a pesquisadores e historiadores da arte, bem como ao público. A visita guiada oferece uma viagem ao trabalho, vida e métodos de trabalho de Francis Bacon, com particular atenção para o período durante o qual viveu e trabalhou em Mônaco e na França.Com sede em Mônaco, a Francis Bacon MB Art Foundation é uma instituição sem fins lucrativos que dedica suas atividades e pesquisas à arte, vida e processo criativo de Francis Bacon.

 
Francis Bacon with
Reinhard Hassert 
 Monte Carlo Casino gardens, November 1981.

              A coleção MB Art abrange mais de 3.000 itens, incluindo pinturas e móveis antigos de Bacon, a maior coleção de fotografias de Francis Bacon e um arquivo exclusivo de materiais de trabalho, livros e documentos, oferecendo aos visitantes e estudiosos uma visão excepcional do mundo de um dos principais pintores do século XX.








                                                                       Francis Bacon

               Bacon parece ter visitado o Principado de Mônaco pela primeira vez no inicio da década de 1940. Em 1946, Erica Brausen, então na Redfern Gallery, conheceu Bacon através de um amigo em comum, o pintor Graham Sutherland, e comprou o quadro Painting 1946 de Bacon por $200. Com o produto da venda, Bacon imediatamente deixou Londres para se estabelecer em Mônaco.

               O Principado se tornaria a residência principal de Bacon de Julho de 1946 até o inicio dos anos 1950. Ele primeiro residiu no Hotel Ré, onde morou com seu amante e patrono Eric Hall e sua babá, Jessie Lightfoot. Graham e Kathleen Sutherland estavam entre os amigos com quem ele costumava passar algum tempo durante seus primeiros anos em Mônaco.

              Bacon foi atraído pela atmosfera e estilo de vida de Monte Carlo; ele gostava da paisagem mediterrânea e da revigorante brisa do mar, o que era benéfico para sua asma. O cassino Belle Époque, com seu ambiente altamente sofisticado, atraiu o artista, que era um jogador inveterado. 

Casino Monte Carlo



Casino Monte Carlo


           Numa das suas entrevistas com David Sylvester declarou: " Lembro-me de uma vez que morei muito tempo em Monte Carlo e fiquei muito obcecado pelo Casino e passei dias inteiros lá..."Bacon foi impulsionado pelos altos e baixos estimulantes que o jogo , como a pintura, proporcionava. O jogo dependia do elemento do acaso, também inerente ao seu processo de trabalho

Abertura ao público

            A Francis Bacon MB Art Foundation oferece passeios para o público apenas com hora marcada.



             Essas visitas guiadas levam os visitantes a uma viagem fascinante pela obra, vida e processo criativo de Francis Bacon, com um foco especial no período em que viveu e trabalhou em Mônaco e na França. É uma experiência verdadeiramente única e envolvente que fornece detalhes e perspectivas intrigantes sobre cada exposição. Os quartos são temáticos, permitindo aos visitantes explorar diferentes aspectos da vida e da arte de Bacon neste lugar íntimo, com sua atmosfera envolvente.

Francis Bacon e Eddy Batache, Paris, 1986


               Os visitantes da Fundação podem descobrir cerca de uma centena de peças dedicadas ao pintor britânico: pinturas, obras gráficas, fotografias, objetos encontrados nos seus vários estúdios, cartas e documentos de trabalho. Este hangar também inclui obras de artistas que conheceram Bacon ou foram influenciados por sua obra. Uma sala é inteiramente dedicada ao seu estúdio parisiense, onde trabalhou por mais de uma década.

Estúdio em Londres ,1977


           As visitas guiadas gratuitas duram aproximadamente uma hora e meia e levam grupos de até seis pessoas. Elas acontecem todas as terças-feiras e no primeiro sábado de cada mês.


Para marcar a sua visita, contacte a Fundação

(De segunda a sexta-feira, das 10h às 17h):

Email: info@mbartfoundation.com

Tel: +377 93 30 30 33

Quem leva os brasileiros para Mônaco: a  Acesse a agência tgk aqui  um pacote especial para Mônaco de 6 dias e 5 noites.

Acessem o website da fundação https://www.mbartfoundation.com/


tiago luis lima silva




quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Vamos conhecer e visitar Mônaco? Sim nós brasileiros fomos convidados !

            Domain Group Brasil acredita piamente que o ano de 2021 e as temporadas de férias 2021/22 vão apresentar para os turistas numerosas propostas atraentes de pacotes de viagens, promoções  e novidades. Quem nunca ficou ludibriado com as cenas de ação de James Bond em meio as ruelas de Mônaco; o charmoso campeonato de Formula 1 em meio as suas pequenas e tortuosas vias? . Ou  as belíssimas imagens de seus Lamborghini , Ferrari  , mulheres lindas e Yatchs suntuosos?

             Vamos publicar uma coleção de postagens sobre o Principado de Mônaco. Serão uma série de apresentações do riquíssimo pais através de um Guia Turístico desenvolvido pela oficina de turismo de Mônaco. É um material que nós da Domain Group Brasil retiramos , quando da visita à Mônaco. Portanto, vamos procurar apresentar os principais locais de interesse em Mônaco: museus e atrações turísticas, lojas e distritos comerciais, viagens ,caminhadas e locomoção em Mônaco ,por exemplo.

            Esta bela cidade costeira é um destino lendário. Mônaco carrega orgulhosamente a bandeira de um  Sonho  e de um  Glamour no mundo, mas é, antes de tudo e principalmente, um destino turístico incrível, com  museus, patrimônio histórico e roteiros de caminhada de excepcional riqueza Assim seguiremos um roteiro através de alguns capítulos . O primeiro se chama No coração do Mito , os principais locais de interesse 



            Seguiremos às publicações  segundo o sumário do guia , assim no primeiro tema terem II os  O Palácio do Príncipe, a Fundação Francis Bacon, o Atelier de Folon, o Museu Oceanógrafo, o novo Museu Nacional de Mônaco, a Villa Paloma e Villa Sauber, coleção de carros do Príncipe, o Museu de Selos e Moedas, o Museu Naval, o Zoológico , o Estádio Louis e o Casino Monte-Carlo.




Palácio dos Príncipes de Mônaco


                O Palácio dos Príncipes de Mônaco é uma residência privada em que os Grandes Aposentos ficam abertos à visitação durante certo período do ano.  (Temporariamente Fechado) Após sucessivas transformações, a antiga fortaleza genovesa apresenta-se no século XVII como uma dessas suntuosas residências bem características do Grande Século.A família Grimaldi reina no principado há sete séculos. A visita dos amplos apartamentos permitam-lhes descobrir o seu esplendor  e realizar uma viagem ao longo dos séculos, desde o Renascimento à época Napoleónica. 

        Construído como uma fortaleza genovesa em 1215, o Palácio do Príncipe guarda mil tesouros, como o pátio de honra e a imponente escadaria dupla que leva à galeria de Hércules e aos amplos apartamentos.

Salão Rouge


          Todos os dias às 11h55, na praça do palácio, a troca da guarda dos Carabinieri (Militares pertencentes a uma arma especial das Forças Armadas, encarregados em tempos de paz da proteção da ordem pública e das funções de polícia judiciária, segurança pública e polícia militar) do príncipe oferece aos espectadores um ritual único e imutável.

Carabinieri do Príncipe

         Com efeito, ainda hoje é possível admirar o esplendor deste palácio, à imagem: Da Capela do Palácio dedicada a São João Batista, da Galerie d'Hercule e da Galerie des Glaces, do Salão Rouge, do Quarto de York, do Salão Amarelo ou Salão Louis XV, da Sala do Trono … assim como dos inúmeros afrescos, tapeçarias e mobílias .Os Grandes Aposentos (atualmente fechado) não dispõe de acessibilidade para pessoas em cadeira de rodas (acesso por escadarias).

Quem leva os brasileiros para Mônaco: a  Agência TGK  um pacote especial para Mônaco de 6 dias e 5 noites.
Visite os websites 

Horários de visitação ao palácio:

Aberto do dia 2 de abril de 2019 (terça feira) ao dia 15 de outubro de 2019 (terça feira), das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17:30), salvo de 1o de julho a 31 de agosto, em que o horário é das 10:00 às 19:00 (última entrada às 18h30).
Encerrado no fim de semana do grande premio Formula 1 (25 e 26 de maio) e dia 1 de junho (Sábado)
Sexta feira 27 de julho o Palácio fecha as portas às 16 horas.

devido ao impacto pela Pandemia do Covid , os horários acima citados são do último calendário 

Tarifas:
Adultos: 8 euros,
Crianças (6-16 anos), Estudantes: 4 euros,
Grupos e Agências: mediante agendamento
Para maiores informações sobre as tarifas e possibilidades de bilhetes agrupados (Palácio Principesco, Coleção de Carros) 






quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Um turismo além dos folhetos e das páginas de revistas

     Será que você leitor não esta somente procurando um texto sobre destinos turísticos, as suas paisagens ,os seus produtos e a sua cultura com o intuito, em circunstâncias intimas ,de  somente alimentar os anseios de estar naquele lugar?

     Pois é, queremos aqui levantar este questionamento, você, querido leitor,  estaria lendo a matéria pensando em seu conteúdo enquanto  caráter literário  ou  de um modo inconsciente apenas realiza uma leitura que lhe gere as informações práticas e necessárias sobre um lugar que será o seu destino de viagens e de consumo?  

     É completamente compreensível  que os desejos de viajar e explorar as belezas do mundo é um plano de vida, é uma vontade real, no entanto, é interessante pensar também que os materiais que tratam sobre a questão do turismo possuem um valor importante para a caracterização histórico patrimonial dos espaços turísticos. As produções literárias nesta área  perpassam pelo olhar do leitor mas este não assimila ,necessariamente, que ali na matéria , artigo e/ou livro há um processo de produção escrita que zela pelo princípio das normas literárias.

     Rebecca Cisne e Susana Gastal ( Universidade de Caxias do Sul , 2010) discutem a noção do turismo enquanto fonte de narração da história. Elas procuraram traçar alguns argumentos e seguiram as teorias de LICKORISH e LENKINS, 2000; ACERENZA, 2002; BARBOSA, 2002  e REJOWSKI, 2002 para discorrer sobre tema. Estes autores  narram o desenvolvimento do fenômeno e, a partir de um julgamento crítico sobre a periodização  e buscam ancorar-se em um  paradigma que designa um novo conceito denominado de Pós-Turismo. O conceito em si revela um novo turismo como interlocutor temporal dos fatos históricos.

    É saliente discutir que existe um universo grandioso e interessante do turismo em suas formas de contar sobre um lugar ; "a história é instrutiva em um estudo do turismo, não apenas porque talvez haja lições para aprender, mas também porque as sementes do crescimento futuro são encontradas no passado" (CISNE e GASTAL,2010 APUD LICKORISH e LENKINS, 2000, p. 20). 


    O fator de elucidação  é de que através do turismo o leitor tem a oportunidade de criar uma sintonia de leituras , de memorizações e de aprendizados valorosos.  O que se pretende enfatizar aqui é que o leitor irá encontrar uma grande satisfação intelectual caso ele decida ir além de uma leitura que  apenas busque  informações turísticas. Pense leitor que você poderá  enfatizar os autores que criaram estes conteúdos; desenvolver uma interação para com eles através de comentários e até, num passo mais abrangente ,à curiosidade de suas biografias e de suas produções literárias.

    Saiba que nas últimas décadas, houve um significativo avanço acadêmico no que se refere à consolidação do campo teórico e metodológico do Turismo. Entretanto, para maior compreensão do objeto em si, um item fundamental talvez esteja sendo negligenciado: a história do Turismo e das Viagens.(CISNE e GASTAL,2010).

     De um certo modo, talvez , pode se imaginar que realmente faltou introduzir mais o tema sobre o turismo nos anais da publicidade, televisões , jornais e rádios . Não seria interessante, por exemplo, haver um canal que trata sobre  turismo , viagens e cultura  na televisão publica? Haverá poucos ou muito poucos que irão ler este texto e pensar, mas ,caro autor, eu adoro ler , bravo portanto! Que tal então você ter uma ideia sobre os escritores que alavancaram a área literária do turismo nacional, por exemplo?

     O excelente professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP) Alexandre Panosso Netto escreveu um artigo cuja pretensão foi a de apresentar aos leitores os 10 livros fundamentais sobre turismo; "Não se trata da relação dos 10 melhores livros de turismo publicados no Brasil, mas sim de uma relação de 10 livros de turismo de autores brasileiros que para mim foram importantes, e que creio que são ou foram fundamentais para muitos estudantes, professores, profissionais do setor e pesquisadores".(PANOSSO,2010).

    Certamente você leitor pode ter a sua relação pessoal com a prática da leitura, contudo ,gostaríamos aqui de oferecer , através desta lista, as obras na área do turismo . A lista postada por Panosso em seu artigo são de escolhe pessoal, existirá inúmeros outros que poderiam estar aqui neste texto ,porém segue para o leitor a escolha do professor.

Eis aqui as obras;

 

1. CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. O que é lazer. São Paulo: Brasiliense, 1982.
Trata-se de obra específica sobre os temas teóricos iniciais do lazer, mas que também estabelece a sua interface com o turismo.  Camargo segue a linha teórica de Joffre Dumazedier, um dos pioneiros nos estudos turísticos mundiais.

 


2. BACAL, Sarah. Lazer: Teoria e pesquisa. São Paulo: Edições Loyola, 1988.
Estabelece lúcida discussão sobre a utilização do tempo por parte dos trabalhadores da cidade de São Paulo, enriquecida com capítulos teóricos sobre o tema. Foi atualizado e publicado com o título “Lazer e o universo dos possíveis”, pela Editora Aleph, em 2003.

 

3. REJOWSKI, Mirian. Turismo e pesquisa científica. Campinas: Papirus, 1996.
Fruto de tese de doutorado defendida na USP  em 1993, este livro foi uma das primeiras reflexões sérias sobre a produção do conhecimento em turismo no Brasil. Fez também uma grande levantamento da produção à época. Não consegui encontrá-lo no site da editora. Penso que está esgotado.

 

4. RUSCHMMANN, Doris. Turismo e planejamento sustentável. A proteção do meio ambiente. Campinas: Papirus, 1997. 
Trata-se de outro sucesso editorial de turismo da Editora Papirus. Apresenta uma proposta de planejamento turístico seriamente comprometida com as práticas sustentáveis e responsáveis. Ao final oferece um modelo para elaboração de um plano de turismo. Grande referência na área. O site da editora informa que está na 16ª edição.

 

5. PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, cultura e turismo. Campinas: São Paulo, 1997.
Apresenta a discussão sobre a relação entre patrimônio natural, patrimônio cultural e turismo. Foi importante para mim este livro pois deixa bem clara a relação do turismo com esses temas, além de mostrar toda a problemática originada pela prática do turismo em áreas de patrimônios variados

 


6. BENI, Mario Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 1997.
Trata-se de um dos livros mais emblemáticos de turismo já publicados no Brasil. Foi o primeiro que li que teve a capacidade de reunir num mesmo texto uma visão holística do turismo com fundamento na Teoria Geral de Sistemas. Sem dúvida muitos irão concordar comigo que foi um livro que marcou época, apesar de sua linguagem rebuscada, que deixava o leitor menos desavisado um pouco assustado no início da leitura. Segundo o site da editora está na 13ª edição. Posteriormente tive a oportunidade de ser orientando de doutorado do prof. Beni na USP

 

7. TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo. Campinas: Papirus, 1998.
Foi um livro que me marcou positivamente, pois fazia uma discussão atual sobre o turismo, utilizando os conceitos da pós modernidade. O autor, com seu espírito crítico e filosófico, apresenta a necessidade da correta formação humana para o setor de serviços, no qual o turismo está inserido. Muitos ensinamentos sobre o caminho a seguir pelo profissional e estudioso do turismo ali apresentados são muito válidos mesmo quase 15 anos depois de sua primeira publicação

 

8. DENCKER, Ada de Freitas Maneti. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. São Paulo: Futura, 1998.
Conheci este livro no último ano de minha graduação em turismo e foi (e continua sendo) muito útil. Depois utilizei com meus alunos de turismo em Rondonópolis, Mato Grosso. Trata-se de uma obra que discute com seriedade e profundidade os temas da investigação em turismo. Destaca-se por sua linguagem clara, profunda e com vastas referências bibliográficas

 

9. VAZ, Gil Nuno.Marketing turístico. Receptivo e emissivo. São Paulo: Pioneira, 1999.
Apresenta uma discussão teórica sobre o marketing turístico e ao final apresenta propostas de elaboração de projetos de marketing turístico. Foi importante pois contextualizava parte do mercado turístico. Parece-me que está esgotado.

 

10. BISSOLI, Maria Angela Marques Ambrizi.  Planejamento turístico municipal com suporte em sistemas de informação. São Paulo: Futura, 1999.
Este livro levou a discussão do planejamento para o lugar aonde de fato o turismo ocorre: o município. Deu elevado destaque às formas e métodos de planejamento, bem como aos sistemas de informação necessários para a organização e distribuição das informações turísticas.


  Muitos dos livros aqui destacados foram pioneiros no Brasil na abordarem de determinado tema, daí sua importância aumentada. Tanto o professor Panosso como o autor deste texto atuam na área do turismo e portanto realizam muitas leituras de escritores que abordam o tema. E ,mais uma vez, gostaríamos de deixar este convite ao leitor  para conhecer mais a literatura do meio turístico.

Tiago luís lima


10 importantes livros nacionais de turismo, disponível em http://www.panosso.pro.br/


ACERENZA, Miguel Ángel. Administração do turismo. Bauru, SP: EDUSC, 2002. 

BARBOSA, Ycarim Melgaço. História das viagens e do turismo. São Paulo: Aleph, 2002 (Coleção ABC do Turismo).

CISNE, Rebecca; GASTAL, Susana. Turismo e sua História: Rediscutindo periodizações . Universidade de Caxias do Sul , 2010. 

REJOWKI, Mirian et all. Desenvolvimento do Turismo moderno. In: REJOWSKI, Mirian (org). Turismo no percurso do tempo. São Paulo: Aleph, 2002.  

 


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

A exposição fotográfica da companhia finlandesa de fotografia Aho & Soldan: um briefing sobre os eventos culturais espalhados pelo mundo e a relação deles com os seus visitantes

                Domain Group Brasil contem o projeto literário denominado Contos de Sonhos de Viagens; dentro deste projeto há uma série de elaborações textuais e de transmissão de imagens . Assim,procuramos elaborar textos em que se vizualiza estruturas relativamente estáveis de composição,realizamos intervenções sociais bem como de opinião pessoal e de opiniões caucadas em autores que se relacionam com o tema exposto.

                 Os generos textuais são as nossas ferramentas, os instrumentos que utilizamos para podermos exercer os atos comunicativos em geral: uma curta postagem via redes sociais, e-mails corporativos, produção de reportagens, entrevistas, contos, páginas de diário, artigos cientificos, seminários, teses, etc.Neste artigo vamos trazer um texto embasado em observações empíricas  e que ao mesmo tempo foi reproduzido  conforme a tradução advinda de material de divulgação. 

                 Pensamos que não há necessariamente uma relação tempo- espaço entre um evento de arte e o período em que ele ocorre. Queremos que o leitor considere o seu contexto, função e finalidade.É interessante citar que tanto um cidadão local,um turista e/ou um turista de negócios ( que geralmente esta naquela localidade através de funções de trabalho), desempenham o papel de visitantes.




                  As produções de arte e a exposição do patrimônio material e imaterial de uma cidade perpassam pela prática da observação e valoração.Assim, a exposição que será inserida neste texto proveio de uma visita pelo autor do artigo, em momento de tempo livre à cidade de Estocolmo na Suécia. Apresentaremos a história e as fotografias de três exímios fotógrafos finlandeses que retrataram a sociedade finlandesa entre as décadas de 1920 a 1960.

              

Museu de Armas de Estocolmo




Entrada do Museu e ao lado o seu Pavilhão de Exposições

                       É com grande orgulho e prazer que Liljevalchs  https://www.liljevalchs.se/ e a cidade de Estocolmo celebram o centenário da Finlândia com uma exposição de fotografia finlandesa de 1920 a 1960 em um elegante pavilhão no pátio do Armemuseum, Estocolmo.O foco está em três pioneiros da fotografia finlandesa e do documentário da mesma família . Heikki Aho, Björn Soldan e Claire Aho nos levam em uma jornada seguindo o crescimento de uma nação. 

                      Em exibição estão mais de 120 fotografias do mais alto padrão internacional, nos dando um vislumbre de nossa luz nórdica especial e, no caso de Claire Aho, um humor composicional surpreendentemente lúdico do epicentro do mundo da moda e da publicidade. Consequentemente, a exposição é extraordinariamente rica e engloba imagens de contextos urbanos e rurais, agricultura e indústria, pessoas e objetos. Nós damos as boas-vindas.(Liljevalchs).







Cartaz da Exposição


                           Em nome de Liljevalchs(galeria de arte de Estocolmo), gostaria de estender um caloroso agradecimento a Jussi Brofeldt(1961-presente) cujo entusiasmo e percepções sobre a história da sua família e registros foram uma fonte inestimável para a montagem da exposição. Além disso, um caloroso agradecimento ao "Armémuseum"na representação de Carl Zarmen e Peter Zander que nos ajudaram em  verificar os detalhes  grandes e pequenos em nossa busca pela implementação deste importante projeto inclusive colaborando no incentivo ao mantenimento  das bases de nosso próprio edifício.Bem-vindo ao nosso pavilhão que esta cheio de  nuances fotográficas finlandesas e para Liljevalchs esta sendo um prazer receber esta  exposição 

Marta castenfors (diretora, Liljevalchs)




                         Fokus Finland 3 x Aho & Soldan - suas histórias em fotografias

                    A exposição de verão de Liljevalch oferece fotografia finlandesa das décadas de 1920 a 1960. Existem três pioneiros da fotografia e do documentário na mesma família: Heikki Aho e Bjorn Soldan e a filha de Heikki, Claire Aho.




Pavilhão de Exposição

                     Heikki Aho (1895-1961) e Bjorn Soldan (1902-1953) eram meio-irmãos. Heikki era filho do artista plástico Venny Soldan-Brofeldt(Helsinque,1863 –1945)  e do autor Juhani Aho(Lapinlahti, 1861 - 1921). Bjorn Soldan nasceu do relacionamento de Juhani com a irmã de Venny, Tilly, e mais tarde se tornou o filho adotivo da família. Venny Soldan -Brofeldt foi um forte educador e personalidade cultural; ela fez os meninos começarem a estudar em alto nível na Alemanha e seu interesse por fotografia foi passado para eles. A bisneta Claire Aho (1925-2015) também testemunhou  a importância da profissão  e se inspirou  na escolha da profissão.



                     Heikki Aho e Bjorn Soldan foram os precursores do documentário e fundaram a produtora de filmes Aho & Soldan em 1924. Aho era basicamente engenheiro e especialista em processamento de imagens, Soldan era um camera virtuoso formado na Escola de Cinema de Munchen e seu estilo fotográfico era baseado em tecnologia de imagem avançada.



                     Aho e Soldan começam seu trabalho em uma nação jovem, independente por apenas alguns anos e ainda em busca de seu caminho. Eles impressionam filmisticamente a natureza, o mar e as florestas, mas depois passam a retratar a industrialização e o surgimento de uma nova sociedade. Imagens de uma agricultura que ainda depende mais de humanos do que de máquinas, de potentes hidrelétricas a serem domadas, de trabalho fabril entre peças de máquinas pesadas. A cultura também está lá: o compositor nacional Sibelius recusou-se a ser fotografado, mas Heikki Aho e Bjorn Soldan puderam fazer documentários sobre ele e com ele em 1927 e 1945.

 Sibelius

                      Crescendo em Helsinque, os dois fotógrafos também contam em suas fotos a transformação da cidade, em uma época anterior à urbanização e ao automobilismo, época que escurece, até os bombardeios soviéticos sobre a capital em novembro de 1939 e a Guerra de Inverno.

                       A empresa Aho & Soldan https://ahosoldan.com/ produziu mais de 400 documentários em seu trabalho para retratar a Finlândia e se tornou dois dos criadores mais influentes da imagem moderna da Finlândia.



                      Bjorn Soldan morreu em 1953, então as imagens dos anos 1950 foram tiradas principalmente por Heikki Aho e sua filha Claire, que trabalharam juntos para desenvolver a tecnologia em fotografia colorida. A década de 1950 é uma época de reconstrução e inocência. Helsinque é uma cidade em crescimento, mas ainda com um esplendor rural. As casas são pequenas e desatualizadas, os bondes estão lotados e as escolas estão lotadas devido aos grandes cortes do pós-guerra.







                     Claire Aho ingressou na produtora no final dos anos 1940 e foi a única cineasta mulher a documentar os Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952. Ela fundou seu próprio estúdio fotográfico e foi pioneira na fotografia colorida. Nos anos 1950 e 1960, ela se tornou muito popular como fotógrafa de moda e publicidade e era frequentemente contratada para capas de revistas. Suas fotos tinham cores fortes e formas engenhosas, humor e detalhes criativos. Com geladeiras reluzentes e TVs barulhentas,  brilham com fé no futuro e otimismo.






                         Claire Aho fotografou sua cidade natal e em 1968 foi convidada para representar a Finlândia em uma exposição apresentando as capitais nórdicas em Kiel. Nessas fotos, não há muito do manifestante mítico de 68, mas ela nos dá os aromas do dia-a-dia de Salutorget e o som dos novos edifícios. Os mais velhos ainda se lembram do peso do Guerra enquanto os mais novos têm os olhos fixos no futuro.

                       



                         Estamos contextualizando este artigo  ao processo de observação e teorização  que  as relações sócio-culturais repercutem . A história da Finlândia travestida parcialmente pelos fotógrafos e também à  localidade do evento pelo Museu do Exército de Estocolmo na Suécia se inserem em um conjunto de interpretação de culturas e  inferências com os quais  o leitor pode experienciar.



                        Domain Group Brasil reproduz alguns elementos conceituais como países escandinavos, história da fotografia e preservação de elementos históricos patrimoniais como consonância à visão do leitor  a despeito da dinamicidade do evento exposto. O escritor e antropólogo norte americano Clifford Geertz (1926-2006) criou o conceito de Antropologia Interpretativa onde há o ensejo em procurar  entender o fenômeno cultural;

Situar-nos, um negocio enervante que só é bem sucedido parcialmente, eis no que consiste a pesquisa etnográfica como experiência pessoal.Tentar formular a base na qual se imagina, sempre excessivamente,estar-se situado, eis no que consiste o texto antropológico como empreendimento cientifico. Não estamos procurando, pelo menos eu não estou, tornar-nos nativos ( em qualquer caso, eis uma palavra comprometida) ou copiá-los.(GEERTZ,pag10,1973)

                         E através deste angulo percebe-se que  o objetivo da antropologia é o alargamento do universo do discurso humano. Enquanto somos visitantes e quando estamos turistando procuramos a instrução, a diversão, o conselho pratico e a descoberta. Esse é um objetivo ao qual o conceito de cultura  se adapta especialmente bem.



                       Deste modo, como sistemas entrelaçados de signos interpretáveis, cheio de símbolos,a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos; ela é um contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos de forma inteligivel- isto é, descritos com densidade.(GEERTZ.pag10.1973)

                           




tradução e intérprete: Tiago luis lima por Liljevalchs

fontes: Geertz,Clifford,1926-A interpretação das culturas/Clifford Geertz.-1eed.13reimpr.-Rio de Janeiro:LTC,2008.323p

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Florença e o David de Michelangelo

                        Nenhuma imagem na história da arte ocidental, com a possível exceção de Monalisa, há sido reproduzida tantas vezes como o David de Michelangelo. Em Florença, especialmente, os seus doppelgängers¹ proliferam: a cópia de mármore de Luigi Arighetti (Florença,1858-1938) na Praça da Senhora, a cópia de bronze de Clemente Papi (Florença,1803-1875) na galeria Michelangelo, sem mencionar as réplicas industriais de gesso, de plástico, de latão ou até de ónix ( um David negro) que se vendem nas lojas de souvenir, em uma das quais se chamam , Loja David . Uma cópia da estatua David se ocupa em frente a uma sauna gay em Florença, como em muitas outras saunas gay da Europa.
                           Fora do Palazzo Vecchio, os vendedores de postais comerciam qualquer imagem concebida de David, em estilos diferentes como por exemplo usando um avental sobre o seu torso, cueca ilustrada na virilha, postais em que ele e o gordo Baco dos Jardins de Boboli aparecem justapostos com os dizeres " antes e depois" no que talvez seja o exemplo mais vulgar, de seus órgãos genitais. Alguns deles com óculos de sol sobre os pelos pubianos e a expressão "Uau Florença"! na parte superior. Semelhantes vulgarizações, como o bigode desenhado no rosto da Monalisa, faz pensar em um certo desconforto diante as grandes obras de arte; sobre o David, sugerem um desejo de aplacar a sua intensidade através da desconfiguração ou o ridiculo.
                            Ao mesmo tempo, atesta a força sensual da estátua, aquela carnalidade.Walter Horatio Pater (Londres-1839-1894)escreve que o artista Michelangelo adorava as pedreiras de Carrara, aqueles estranhos picos cinzentos que mesmo ao meio-dia transmitiam para qualquer um o vislumbre,a solenidade e a calma do pôr-do-sol;na coroa de David ainda há um pedaço de pedra não polida, como se com aquele toque ele quisesse manter sua conexão com o lugar de onde foi extraído. Ao observar a reprodução do rosto de David em um mouse de notebook comprado à galeria do Museu da Ópera de Duomo pode-se analisar melhor um outro lado da obra à qual Pater se referia, "sua expressão é inquieta e insegura, como se questionasse o estilingue heróico pelo qual ele será lembrado nas reproduções, aquele olhar que dança à beira da contrição, endurece em algo parecido com a grosseria, e o rosto assume uma aparência de amargura e mesquinhez".O verdadeiro David, por outro lado, tem uma aura de estranha delicadeza até mesmo da fragilidade, com a qual sua própria enormidade o contrasta paradoxalmente.
                            Um bloco de pedra de cinco metros usado para esculpir a peça foi extraído em 1464 para a Ópera de Duomo mas nunca foi usado porque o escultor que fez o esboço, nas palavras de um contemporâneo de Michelangelo, não era familiar o suficiente com sua arte. Alguns anos depois, o escultor Andrea Sansovino (Monte San Savino,1467 - 1529) tentou persuadir o conselho da Ópera de Duomo a lhe dar uma chance; porém, apenas Michelangelo apresentou uma proposta que não exigia a adição de outras peças de pedra e, por isso, foi-lhe atribuída a peça de mármore.Na verdade, é graças à precisão com que Michelangelo usou este bloco que hoje aquele pedaço de pedra permanece não esculpido na cabeça de David, Michelangelo exibiu pela primeira vez aquela qualidade de tratamento de material conhecida como terribilitá;a capacidade de aterrorizar o espírito, a força avassaladora, pela qual mais tarde se tornou tão famoso, escreveu John Addington Symonds (Englaterra 1840 -1893)em sua biografia do artista.
                          A estátua é imponente, não apenas por seu tamanho, sua majestade e seu poder, mas por causa de algo feroz em sua concepção. Talvez tentando ser rigorosamente fiel à história bíblica, Michelangelo estudou um menino cujo corpo ainda não estava totalmente desenvolvido. David, para colocar a questão claramente, é um idiota colossal.
                           
                           Théophile Gautier (França, 1811—1872)escreveu que o seu corpo lembrava um garçom de mercado por causa da largura do tórax, da profundidade do abdômen e da corpulência geral; não se desenvolveu na mesma escala que as mãos e pés enormes e a cabeça pesada. Sentimos que ele tem alguns anos pela frente antes de se tornar um homem totalmente desenvolvido,que passou da adolescência à maturidade de sua força e beleza. Essa observação cuidadosa das imperfeições do modelo em um determinado estágio de seu desenvolvimento físico é muito visível e não é muito agradável em uma estátua de cerca de quatro metros de altura.
                            Tanto Donatello (Florença, 1386 -1466) quanto Verrocchio(Florença,1435 —1488) trataram David com o mesmo realismo, mas trabalharam em menor escala e em bronze. Há uma insistência neste ponto, porque os estudiosos de Michelangelo tendem a ignorar a sua extrema sinceridade e naturalismo nas primeiras fases da sua carreira. Quando a estátua foi concluída em 1504, Botticelli (Florença,1445–1510), quis colocá-la na Loggia del Lanzi²; outros apostam no próprio Duomo. Por fim, foi decidido que o David ficaria localizado em frente ao Palazzo Vecchio, embora lá não tenha sido uma tarefa fácil.
                         Primeiro, as paredes da Ópera de Duomo tiveram que ser derrubadas. O David se movia muito devagar,observou Luca Landucci(Florença,1436–1516) em seu diário,porque estava amarrado na vertical e suspenso para que seus pés não tocassem o solo. A transferência durou quatro dias e quarenta homens foram necessários por quase quatro séculos, David levou uma vida relativamente pacífica na Piazza, exceto por um dia ruim em 1527, quando uma perturbação da ordem ocorreu e como resultado ele perdeu seu braço esquerdo.
                           O incidente demonstra, mais uma vez, o estranho fato de que as coisas mais difíceis podem ser excepcionalmente frágeis. O mau tempo também cobrou seu preço e, em meados do século 19, quando a Itália se unificou e Florença se preparou para um breve momento de glória como capital, historiadores da arte, políticos e restauradores começaram a insistir na necessidade de buscar um novo lar para David. Em 1852, uma comissão reunida para relatar sobre os perigos que David enfrentava e sobre os sistemas que deveriam ser adotados para evitar seu colapso votou unanimente a favor da relocação da estátua, mas não conseguiu chegar a um acordo sobre qual deveria ser o novo destino. A loggia do antigo mercado foi proposta, bem como a Loggia del Lanzi (novamente) e a loggia degli uffizi, mas, por razões que vão desde a falta de luz ao medo de que a estátua pudesse ficar sujeita aos danos dos classes mais baixas, os três lugares foram descartados; o mesmo aconteceu com as Capelas Medici e Bargello. finalmente, no final da década de 1860, outra comissão concluiu que a única maneira de fornecer um refúgio para a estátua mais colossal da era moderna era construir um templo para esse propósito exclusivo. essa plataforma seria projetada pelo arquiteto Antonio di Fabris como um anexo da accademia di belle arti; relembrando o ocorrido em 1504, a comissão considerou que o mais prudente seria deslocar a estátua para o seu novo local antes do início da construção, para que não fosse necessário derrubar mais paredes. a mudança foi cuidadosamente planejada.
                          No verão de 1873, alguns trabalhadores construíram uma estrada que cruzava a Piazza della Signoria, dobrava para direita na Via de Calzaiuoli, ao redor do Duomo, e fazia uma curva acentuada à esquerda na Via del Cocomero (Calle de a Melancia, que mais tarde seria rebatizada de Via Ricasoli) antes de chegar ao destino na Accademia. Terminada a trilha, o David foi retirado de seu pedestal e colocado em uma espécie de carroça sobre a qual foram colocados andaimes de madeira que impediam seus pés de tocarem o solo. Finalmente, em 30 de julho, David começou a viagem para sua nova casa, uma jornada que duraria sete dias, embora a distância que ele teria que percorrer pudesse ser percorrida a pé em dez ou quinze minutos. Em uma das poucas ilustrações da transferência, uma gravura publicada na Nuova Illustrazione Universale de janeiro de 1874, apenas a metade superior do torso de David é visível acima das paredes do andaime. Seu famoso aceno de cabeça, seus olhos olhando duvidosamente por cima do ombro esquerdo, emprestam um novo fato a essa imagem, como se o que ele estivesse olhando com tanta preocupação fosse na verdade o desaparecimento gradual da única casa que ele conheceu.
                       
                          Nem todos ficaram felizes com a mudança. O David de Michelangelo não estará mais na Piazza della Signoria, um jornalista anônimo lamentou no Giornale Artistico em 1º de agosto de 1873. Ele foi embalsamado e foi visto em uma engenhoca de madeira e ferro no caminho para seu túmulo no Cemitério da Arte, comumente conhecido como Accademia delle Belle Arti. Uma vinheta do mesmo período mostra David se inclinando para frente e saindo da gaveta para falar com os cavaleiros tolos e odiados que presumivelmente orquestraram sua mudança de local. Em uma carta escrita ao Ministro da Educação Pública, foi levantada uma reclamação sobre o degradante vagão no qual o David havia sido trancado, como se a chuva e o vento que lentamente erodem seu mármore não fossem literalmente muito mais degradantes.
                           Embora a retórica tenha terminado assim que o David foi guardado com segurança na Accademia, a irritação permaneceu com o vazio que havia permanecido entre as estátuas na praça, o que levou à sua ereção em 1910 (as coisas estão lentas em Florença) uma réplica de mármore que hoje muitos turistas confundem alegremente com a verdadeira.
                          Os mais astutos, é claro, enfrentam as longas filas que se formam na frente da Accademia para ver David em seu verdadeiro e inimitável esplendor. Visto que agora vive em uma tribuna, era de se esperar que tivesse adotado uma expressão de arrogância, embora de fato, e apesar das mudanças de circunstâncias, seu aspecto de vulnerabilidade só pareça ter se intensificado com o passar dos anos. Talvez seja devido à idade ou à dor persistente no braço esquerdo, ou no segundo dedo do pé esquerdo, quebrado por um vândalo em 1991. Sei que inventar tal motivo é supor que a estátua tem uma identidade diferente da figura daquele que representa ou mesmo o mármore com o qual foi construído; na verdade, envolve admitir que a estátua tem uma consciência. E como seria essa consciência, ao mesmo tempo pesada e frágil? Que tipo de memórias um pedaço de pedra pode conter? que só podemos imaginar

-tradutor e interprete: Tiago luis lima silva
-obra: Florence: A delicate case.2002 by David Leavitt
- todas as imagens foram extraídas do website Pinterest, com exceção da imagem do transporte de David cuja fonte foi stock photo.

 1- sósia ou duplo não-biologicamente relacionado de uma pessoa viva, por vezes retratado como um fenômeno fantasmagórico ou paranormal e geralmente visto como um prenúncio de má sorte, ou ainda para se referir ao "irmão gêmeo maligno" ou ao fenômeno da bilocação.

 2- edifício na esquina da Piazza della Signoria em Florença , Itália , adjacente à Galeria Uffizi . É constituído por amplos arcos abertos para a rua. Os arcos apoiam-se em pilastras agrupadas com capitéis coríntios . Os arcos largos atraíram tanto os florentinos que Michelangelo propôs que eles fossem continuados em toda a volta da Piazza